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As mudanças que desafiam Obama

Paulo Rabello de Castro

O estouro da bolha de Wall Street impõe ao presidente Barack Obama – a partir de 20 de janeiro – um desafio financeiro de proporções só comparáveis às enfrentadas por George Washington, na fundação do então novo país.  Na época, Washington contava com pessoas excepcionais e soube explorar o melhor talento de cada um.  Por exemplo, deu a Hamilton - financista tão genial quanto fora como estrategista na guerra - a missão de recompor a dívida federal americana.

Hoje a dívida – pública mais privada – de novo ameaça o futuro e a grandeza da nação americana.  Se Obama, em seu discurso de posse, falar em “refundação do país” não estará exagerando. A magnitude do esforço não será menor do que o de empreender e ganhar uma guerra de libertação nacional.  Só que, desta vez, o inimigo não veste farda; está dentro de casa, sob a forma de três grandes desafios: a perda de capacidade competitiva, a perda de juventude e a perda de confiança.  Trata-se de um coquetel com grande potencial explosivo, contra um presidente novo e bastante inexperiente, que tentará aprender no exercício do mandato.

A perda de capacidade competitiva é evidente.  Para não ir mais longe, é pegar as montadoras americanas de automóveis, com seus modelos ecológica e esteticamente velhos, e seus custos afundados no segundo maior problema: a previdência dos seus colaboradores.  A geração conhecida como “baby boomers”, que nasceu durante e logo após a Segunda Guerra mundial, chega agora às portas da aposentadoria e pressionará as finanças públicas com suas pensões e gastos crescentes com a saúde na terceira idade. A força de trabalho americana se vê ameaçada pelos contingentes asiáticos (pena que não tanto pelos sul-americanos!) muito mais educados e baratos.

O problema previdenciário é particularmente grave porque pressionará a rolagem da dívida pública federal dos EUA, num momento em que a extensão da ajuda financeira aos bancos já exauriu todo o espaço para novas emissões de títulos do governo.

Não será pela geração de “empregos compensatórios”, do tipo keynesiano, que se equacionará o problema principal da administração Obama.  Antes fosse “apenas” criar três milhões de novas vagas por meio de  investimentos em infra-estrutura.  No seu discurso, Obama se aferrará à questão dos empregos por motivo eleitoral, já de olho em 2012.  Mas o desafio do estadista é o de refundar a nação, não flanqueando seus problemas centrais: a competitividade, o financiamento da previdência e a recomposição da confiança.

Sobre esta última pesarão as dúvidas mais graves.  A sociedade de grande consumo, em que se tornaram os Estados Unidos, é bem diferente do perfil altamente poupador dos agricultores que moldaram aquela nação gigante.

Estamos diante de uma geração MacDonald’s que estuda pouco, come muito (e mal) e que gastou por conta de um futuro inexistente, tudo avalizado por Alan Greenspan, o mago que virou bruxo.  O endividamento das famílias (160% de sua renda anual), combinado com uma taxa de poupança zero, constitui séria ameaça à estabilidade do dólar como moeda de reserva mundial nas próximas décadas.  Defender uma transição decente da atual hegemonia americana para uma posição de co-liderança no mundo futuro de “blocos de nações” é o grande enigma a ser resolvido pelo simpático Kennedy à moda “pop”.

Caso não seja capaz de encaminhar a questão da desconfiança sobre o dólar, desde o início da gestão, Obama corre o risco de desmoralizar suas esperançosas promessas de mudança.

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Pacotes não agem sobre a confiança

A Alemanha acaba de dar um passo a mais na direção de obter uma inversão da acelerada taxa de dispensa de mão de obra. A Europa inteira entrou no desemprego em massa, embora nas ruas não se sinta esse processo ainda por estar apenas no início. A dúvida persistente é se esses pacotes, inclusive o próximo de Obama, terão a repercussão de deter o processo.

TEMO QUE NÃO. O PROBLEMA ɉ DE CONFIANLJA ANTES DE SER UMA CRISE GRAVE DE CRÉDITO - QUE TAMBɉM ɉ!

Para se resolver a restauração da confiança é necessário antes de tudo remover o lixo financeiro ainda acumulado nos balanços das instituições financeiras

Paulo Rabello de Castro

GERMAN COALITION AGREES €50BN STIMULUS

The leaders of Germany’s ruling coalition on Monday night agreed on Europe’s largest fiscal stimulus, worth €50bn over the next two years, including public investments and a larger-than-expected cut in tax and social security contributions.
The package, to be unveiled officially on Tuesday, will include €18bn ($24bn, £16bn) worth of cuts in taxes and other levies, spread over 2009 and 2010, Peter Struck, parliamentary leader for the Social Democratic party, junior partner in Chancellor Angela Merkel’s coalition.
This article can be found here.

By Bertrand Benoit in BerlinPublished: January 13 2009 02:00

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Capítulo 5 | Pedaladas: uma década de fuga ao ajuste no ciclo

Reprodução do capítulo 5 do livro “A Grande Bolha de Wall St. - Como ela pegou o mundo, como ela pode afetar você” de Paulo Rabello de Castro & colaboradores.

Em 1998, a revista TIME deu capa e destaque comparável ao de astronautas a Greenspan, Rubin e Summers por haverem engendrado um forma de pedalar o mercado financeiro para fora de zona de risco de ajustamento. Roberto Rubin, eficiente secretário do Tesouro de Bill Clinton, como homem de mercado e ex-patrão da poderosa corretora Goldman Sachs, sabia exatamente o que poderia significar um ajuste macroeconômico a meio caminho do segundo mandato do presidente democrata. Correu para apoiar a manobra do FED de Nova York, então comandado por William McDonough. Um pacote de emergência de $3,5 bilhões foi então montado pelos próprios bancos envolvidos no imbróglio por exigência do sub-comandante do Federal Reserve Board e responsável pelas instituições bancárias na área de Nova York. McDonough ganhou a parada ao fazer os grandes bancos refinanciar o prejuízo do LTCM - Long Term Capital Management.

Como todos eram aplicadores no fundo do LTCM, o que McDonough fez foi organizar o auto-interesse dos próprios banqueiros. Por sorte, o nível de contaminação de compromissos cruzados em derivativos não era, nem por uma fração mínima, parecida com o tamanho da bola de neve formada na crise atual de 2008. E, assim, naquela ocasião, o mercado financeiro foi saindo de fininho e se livrando dos passivos gerados pela situação criada pelas perdas geradas pelo default da Rússia.

Em seguida veio a crise do Brasil, demonstrado pelo ataque especulativo contra a política insustentável do plano Real, baseada numa âncora de câmbio fixo. Todos lembramos ainda do pecado mortal de se pretender manter o preço do frango à custa da manipulação de um câmbio artificialmente contido, enquanto as despesas de governo explodiam em todos os níveis. O resultado foi ajustamento e sofrimento, é claro. Uma operação de resgate dos títulos brasileiros foi montada de modo a propiciar liquidez ao endividado país, enquanto entrava em cena o FMI para impor a necessária disciplina fiscal. Com a liberação do câmbio pela adoção, inédita no Brasil, de um regime de taxas flutuantes, para não dizer livres, as forças de mercado puderam agir na direção certa, empurrando as exportações para frente ainda em 1999.

Ao final de setembro daquele ano, véspera da virada do milênio, O Wall Street Journal organizou um grande seminário tentando avaliar o “estrago” nas economias emergentes da América do Sul, especialmente Brasil e Argentina. Enquanto o Brasil tentava a sorte com o novo regime de real flutuante, a Argentina era saudada ainda como o regime mais estável do momento, com seu câmbio rigidamente atrelado ao dólar através da regra de conversibilidade paritária, de um peso para um dólar. Naquele seminário, a que compareceriam, em painéis subseqüentes, o chefe do FED de Nova York, William McDonough, e também Carlos Menem e Armínio Fraga, estes falando na mesa de almoço, apresentamo-nos com Ricardo Lopez Murphy, pelo Brasil e Argentina, respectivamente, no primeiro painel da manhã do evento.

A situação merece lembrança para mostrar como o que vai aparentemente mal - como parecia ser o caso do Brasil naquela quadra especialmente difícil - nem sempre tem reservado um final trágico, ao passo que a vizinha Argentina, apesar de tão bem representada pelo liberal Lopez Murphy, tinha um calote bilionário a ela reservado no futuro nada distante. Murphy foi extremamente honesto; para um orgulhoso argentino, quase foi humilde. Ao destacar a fragilidade do momento argentino, quando ainda não se percebia bem a estupidez do congelamento da moeda local na paridade um para um, Murphy foi capaz de dizer, sem afirmar claramente, que sua economia ia, de fato, de mal a pior.

Enquanto isso, no Brasil, recém-egresso de um pacote internacional de salvamento, o estado sofrível da sua economia era apenas o início de uma real possibilidade de recuperação. Sobre isso expusemos nossas idéias, apesar da visível perplexidade da platéia sobra os rumos do país.

Pouco importava, porém, a falta de méritos de um Brasil cansado de errar em políticas macroeconômicas. A realidade passara a ser diferente a partir da flexibilização do câmbio empreendida corajosamente por… ninguém! Quer dizer, a mudança foi realizada naturalmente por todos, pela sociedade, quando atropelara o carcomido sistema de intervenção oficial para decretar, por si mesma, a liberdade cambial.

Como confiava nessa revolução silenciosa do setor produtivo, eu nela apostara minhas fichas há duas décadas, numa insistência solitária nas virtudes superiores do câmbio livre para o Brasil. Confiava na saída pelas exportações, fórmula vitoriosa dos anos setenta. O Brasil daria a volta por cima sem colapso. Problemática era a economia da nação vizinha. A Argentina vivia um falso progresso e comemorava o final de uma era de endividamento explosivo. O resto, todos sabemos como aconteceu.

Naquele dia, McDonough também falou com propriedade sobre os riscos da economia americana, ressaltando a necessidade de manter os olhos no equilíbrio fiscal alcançado pela gestão Clinton, como única fiança do regime monetário frouxo da década de alta liquidez. Parecia falar como um sucessor de Greenspan. Talvez fosse sério demais ou talvez tivesse idéias próprias demais, ou talvez tivesse enfrentado demais o “establishment” financeiro, obrigando os credores do LTCM a limpar a sujeira da festa dos admiráveis anos noventa, que enriquecera tantos artistas do meio financeiro em tão pouco tempo.

À altura da soleira do novo Milênio, não sabíamos nada do que ainda estaria por vir com as inovações financeiras que se começavam a experimentar. Mal iniciávamos a subida a ladeira da acumulação em operações de derivativos de crédito naquele ano de 1999. Pouco conhecíamos dos erros novos, inéditos, que ainda seriam cometidos em nome do lucro fácil, em nome da vontade de competir e vencer a qualquer preço, e da possibilidade de corromper ou ser corrompido pelos modos mais sutis e poderosos, afastados de qualquer monitoramento da qualidade verdadeira dos créditos negociados, mas aperfeiçoados no método e na eficácia dos processos de dissimulação de riscos.

Na sessão do almoço do Seminário, um grande salão do tradicional Hotel Roosevelt abrigava a elite de Wall Street para ouvir dois convidados de Bill Rhodes, o anfitrião da comida e indefectível administrador das crises sul-americanas pelo Citicorp, banqueiro do maior prestígio por suas façanhas de contornar calotes considerados monumentais. Bill Rhodes convidara para falar no almoço uma dupla de água e azeite, impossíveis de se misturar ou confundir: de um lado, o polêmico Carlos Saúl Menem, recém egresso de dois longos mandatos na Casa Rosada, e responsável pelo resgate da Argentina de sua pior crise secular, a de 1989, que, de tão virulenta, obrigara seu predecessor, Raúl Alfonsin, a deixar o governo vária semanas antes do prazo constitucional, tamanho era o grau de destruição moral e financeira a que chegara o país, curvado pela hiperinflação e um mega-endividamento. De outro, Armínio Fraga, o jovem e arguto presidente do Banco Central do Brasil, bem articulado e convicto de que, finalmente, tinha nas mãos as rédeas da economia mais errática do continente. Com o câmbio flutuante já começando a apresentar seus primeiros resultados positivos, foi possível a Armínio apontar com razoável segurança. um ano de 2000 de retomada do crescimento, confirmando a minha intervenção na parte da manhã ao mostrar a repercussão da balança comercial brasileira através da reação inicial do agronegócio, o sempre esquecido segmento salvador da pátria nos seus piores momentos.

Menem, ao contrário, estava irreconhecível, em sua falta de persuasão nos argumentos ressentidos de quem estava fora do poder há pouco tempo. Não era o mesmo Menem que eu vira entrar, meio patético, mas certamente garboso, acenando para uma platéia vibrante no centro do picadeiro do Parque Agropecuáro de Palermo, ao final daquele ano terrível de 1989, na Argentina, após a saída apressada do presidente Raúl Alfonsin, um democrata que fizera uma enorme inflação. Menem propusera ao povo argentino “La revolución productiva”, no seu discurso de inauguração, tudo o que a elite argentina queria e precisava ouvir naquela fria manhã, em que o valor do patrimônio portenho havia sido corroído a quase zero. Dez anos depois, o avanço argentino deixava dúvidas de novo, e gerava apreensões financeiras pela bolha de consumo e de endividamento em que se metera o país uma vez mais. Menem não foi convincente como em Palermo, apesar do seu aparato midiático de segurança na entrada e na saída do espaço do salão de almoço, com sua trupe de guarda-costas que fazia lembrar uma mafioso nova-iorquino, contrastando com a simplicidade de Armínio e sua mochila a tiracolo.

É que Menem não estava à vontade, e nisso foi tão convincente quanto o fora o intelectual Lopez-Murphy, na parte da manhã. Menem demonstrou que algo de desastroso se armava no cenário argentino, um pouco do “après moi, le déluge”…

A rememoração do calote argentino, que finalmente ocorreu 24 meses depois desse evento em Nova York, é fundamental na compreensão dos fenômenos de auto-engano que o mercado pratica vez por outra. À volta de 1999, a grade preocupação dos credores não era com a Argentina, considerada alinhada com o dólar pela rigidez da conversibilidade, e sim o possível calote do Brasil, caso fracassasse o sistema das metas de inflação e os controles fiscais em fase de implantação no segundo mandato de FHC. Por isso, Bill Rhodes se mostrara tão solícito com Fraga, ao apresentá-lo como “my good friend Armínio”. No entanto, numa curta distância à frente, de apenas dois anos, ficaria demonstrado que os banqueiros tinham o foco errado em suas preocupações, porque concentradas no risco menos grave.

Aliás, as agências de risco internacionais também compartilhavam o erro e o fomentavam involuntariamente, ao avaliar os papéis do governo argentino como menos arriscados que os do Brasil. E assim permaneceram, com a visão de risco turvada pelo conceito da “blindagem” da conversibilidade até praticamente a véspera da catástrofe financeira dos papéis argentinos em dezembro de 2001.

Enquanto isso, vagarosamente o Brasil emergia da sua crise financeira, à custas de trabalho e sacrifício de consumo. Os credores bancos e suas agências de risco, mais uma vez, julgaram mal os verdadeiros perigos por que passavam seus créditos.

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A crise econômica mundial é debatida na Fecomercio

Em debate realizado pelo Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio, na quarta-feira (15), em São Paulo, economistas avaliaram os reflexos que o agravamento da crise mundial poderão ter sobre a economia brasileira ainda este ano e em 2009. Apesar da fase de turbulência mundial, todos os participantes concordaram de que o Brasil tem boas chances de sair fortalecido desta situação, mas isso só vai acontecer se fizermos mudanças. “Com a crise, todas as cartas voltaram para a mesa. Agora, o jogo vai começar do zero e podemos tirar cartas melhores, ou seja, quem se organizar primeiro ou de maneira mais eficiente terá mais chances”, comentou o presidente do Conselho, Paulo Rabello de Castro.

O economista chamou a atenção dos participantes para a necessidade de conhecer a origem do problema para combatê-lo com eficiência. “O mar anda muito revolto, então as interpretações equivocadas sobre a origem também nos dão interpretações equivocadas para onde o vento pode nos levar”, disse. Castro qualificou o tamanho da crise como “enorme”, mas afirmou que ainda não estamos no fundo do poço. “Acho que não, porque esse lugar é menos barulhento e mais escuro. Por enquanto, o problema é financeiro e os banqueiros estão fazendo barulho. O fundo do poço se dará quando as empresas do setor produtivo começarem a apurar as conseqüências deste momento”, disse.

Sobre quando saberemos em que parte estamos nesta queda livre mundial, Castro mencionou que isso só deve acontecer quando fecharmos o balanço do último trimestre do ano. Por hora, nossos números são animadores, pois encerramento do terceiro trimestre foi uma avalanche de boas notícias. O economista conclamou a liderança empresarial brasileira a cobrar por mudanças. “Ela deverá ser baseada em política monetária neutra e fiscal de mais austeridade, sem tirar ênfase nos investimentos”, disse.

O presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Josué Christiano Gomes da Silva também se posicionou de maneira otimista diante da crise. De acordo com ele, apesar do país ser afetado pelo momento e isso deve ter reflexo no crescimento, os erros da política passada podem ser corrigidos facilmente. “É possível amenizar os efeitos, afinal de contas, temos juros reais altos, mas podemos reduzi-los sem permitir a volta da inflação; o estado não é tão eficiente, mas com pouco esforço é aumentamos a produtividade em 10%; e o compulsório desproposital está sendo diminuído pelo Banco Central. Esta medida impede que o sistema bancário nacional sofra com falta de liquidez e inadimplência”, avalia Silva.

Igualmente como o presidente do IEDI, o Cônsul para Assuntos Políticos e Econômicos do Consulado Geral dos Estados Unidos, James B. Story acredita que os fatores que prejudicaram o crescimento do Brasil contribuíram para que ele esteja em uma posição melhor para enfrentar os problemas mundiais. “Acho que em 2010 o Brasil vai ter oportunidade de começar outra administração, independente do partido, capaz de mudar sua política econômica e crescer aqueles 10% desejados”, comenta. O diplomata também considera que 2009 será um ano muito bom para o país: “Crescer entre 2,5 e 3,5% vai ser algo genial, a economia americana poderia aumentar nesta taxa. Imagina?”.

Sobre os Estados Unidos, Story frizou que a economia americana e ágil, por isso, consegue mudar a qualquer momento para evitar problemas maiores. “Creio que em dois anos, ou pouco menos, estaremos correndo outra maratona bem mais rápidos, vamos crescer de uma forma maior”, aponta. Para ele, isso será possível a partir da restauração da confiança no sistema financeiro mundial, além de melhorar a fiscalização e a regulamentação sobre os títulos derivativos.

O mesmo clima de otimismo não é compartilhado pelo diretor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Yoshiaki Nakano, avalia que superar este momento não será tão fácil. Isso porque esta crise e diferente das demais e tem como característica ter sido “engendrada dentro do sistema financeiro”. “Quando a recessão está associada à crise bancária e à contração de crédito ela é mais profunda e duradoura do que as demais”, pontua Nakano. Segundo o professor, uma avaliação feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que esta situação persista por mais dois anos e meio.

“Apesar da enorme alocação de recursos, a crise ainda não acaba”, concorda o chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas Gomes. Para ele, não estamos mesmo no fundo do poço e só conseguiremos medir nossa posição no prazo de pelo menos seis meses. “Provavelmente as taxas de juros continuarão a subir de acordo com o dólar, mas acredito que a moeda americana se acomode na faixa que está agora, ou seja entre R$ 1,80 e R$ 2”, estipula Gomes. Já o presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, Francisco da Silva Coelho, é mais enfático na análise da crise. “O que houve no mundo foi excesso de ganância e de arrogância com vontade de ganhar dinheiro fácil. Vamos ter de fazer vários ajustes no sistema financeiro internacional”, avalia.

Por Sonia Xavier | Fonte: Fecomercio

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