Arquivo Janeiro, 2009
As mudanças que desafiam Obama
Paulo Rabello de Castro
O estouro da bolha de Wall Street impõe ao presidente Barack Obama – a partir de 20 de janeiro – um desafio financeiro de proporções só comparáveis às enfrentadas por George Washington, na fundação do então novo país. Na época, Washington contava com pessoas excepcionais e soube explorar o melhor talento de cada um. Por exemplo, deu a Hamilton - financista tão genial quanto fora como estrategista na guerra - a missão de recompor a dívida federal americana.
Hoje a dívida – pública mais privada – de novo ameaça o futuro e a grandeza da nação americana. Se Obama, em seu discurso de posse, falar em “refundação do país” não estará exagerando. A magnitude do esforço não será menor do que o de empreender e ganhar uma guerra de libertação nacional. Só que, desta vez, o inimigo não veste farda; está dentro de casa, sob a forma de três grandes desafios: a perda de capacidade competitiva, a perda de juventude e a perda de confiança. Trata-se de um coquetel com grande potencial explosivo, contra um presidente novo e bastante inexperiente, que tentará aprender no exercício do mandato.
A perda de capacidade competitiva é evidente. Para não ir mais longe, é pegar as montadoras americanas de automóveis, com seus modelos ecológica e esteticamente velhos, e seus custos afundados no segundo maior problema: a previdência dos seus colaboradores. A geração conhecida como “baby boomers”, que nasceu durante e logo após a Segunda Guerra mundial, chega agora às portas da aposentadoria e pressionará as finanças públicas com suas pensões e gastos crescentes com a saúde na terceira idade. A força de trabalho americana se vê ameaçada pelos contingentes asiáticos (pena que não tanto pelos sul-americanos!) muito mais educados e baratos.
O problema previdenciário é particularmente grave porque pressionará a rolagem da dívida pública federal dos EUA, num momento em que a extensão da ajuda financeira aos bancos já exauriu todo o espaço para novas emissões de títulos do governo.
Não será pela geração de “empregos compensatórios”, do tipo keynesiano, que se equacionará o problema principal da administração Obama. Antes fosse “apenas” criar três milhões de novas vagas por meio de investimentos em infra-estrutura. No seu discurso, Obama se aferrará à questão dos empregos por motivo eleitoral, já de olho em 2012. Mas o desafio do estadista é o de refundar a nação, não flanqueando seus problemas centrais: a competitividade, o financiamento da previdência e a recomposição da confiança.
Sobre esta última pesarão as dúvidas mais graves. A sociedade de grande consumo, em que se tornaram os Estados Unidos, é bem diferente do perfil altamente poupador dos agricultores que moldaram aquela nação gigante.
Estamos diante de uma geração MacDonald’s que estuda pouco, come muito (e mal) e que gastou por conta de um futuro inexistente, tudo avalizado por Alan Greenspan, o mago que virou bruxo. O endividamento das famílias (160% de sua renda anual), combinado com uma taxa de poupança zero, constitui séria ameaça à estabilidade do dólar como moeda de reserva mundial nas próximas décadas. Defender uma transição decente da atual hegemonia americana para uma posição de co-liderança no mundo futuro de “blocos de nações” é o grande enigma a ser resolvido pelo simpático Kennedy à moda “pop”.
Caso não seja capaz de encaminhar a questão da desconfiança sobre o dólar, desde o início da gestão, Obama corre o risco de desmoralizar suas esperançosas promessas de mudança.
Sem comentáriosPacotes não agem sobre a confiança
A Alemanha acaba de dar um passo a mais na direção de obter uma inversão da acelerada taxa de dispensa de mão de obra. A Europa inteira entrou no desemprego em massa, embora nas ruas não se sinta esse processo ainda por estar apenas no início. A dúvida persistente é se esses pacotes, inclusive o próximo de Obama, terão a repercussão de deter o processo.
TEMO QUE NÃO. O PROBLEMA É DE CONFIANÇA ANTES DE SER UMA CRISE GRAVE DE CRÉDITO - QUE TAMBÉM É!
Para se resolver a restauração da confiança é necessário antes de tudo remover o lixo financeiro ainda acumulado nos balanços das instituições financeiras
Paulo Rabello de Castro
Sem comentáriosGERMAN COALITION AGREES €50BN STIMULUS
The leaders of Germany’s ruling coalition on Monday night agreed on Europe’s largest fiscal stimulus, worth €50bn over the next two years, including public investments and a larger-than-expected cut in tax and social security contributions.
The package, to be unveiled officially on Tuesday, will include €18bn ($24bn, £16bn) worth of cuts in taxes and other levies, spread over 2009 and 2010, Peter Struck, parliamentary leader for the Social Democratic party, junior partner in Chancellor Angela Merkel’s coalition.
This article can be found here.By Bertrand Benoit in BerlinPublished: January 13 2009 02:00
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